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10.4.09

Harto de tanta porfía

[Teniers - Dulle Griet]

περίλυπός ἐστιν ἡ ψυχή μου ἕως θανάτου
Mc. 14:34

É quando despejo os lençóis em cima da cara. E mordo os dedos e as unhas me morrem entre os dentes. E o zunzum nos ouvidos. Que é o sangue a gritar no silêncio do meu terror. Da noite que nunca mais. E amanhã vou acordar إن شاء الله encharcado em poluções estranguladas de raiva. Outra vez.

22.3.08

Περίλυπός ἐστιν ἡ ψυχή μου ἕως θανάτου

[Munch - Auto-retrato no inferno]

Harto de tanta porfia

sostengo bevir tan fuerte
qu'es triste el anima mia
fasta que venga la muerte
(anónimo espanhol, s. XV/XVI)


περίλυπός ἐστιν ἡ ψυχή μου ἕως θανάτου
Mc. 14:34

Farto de tanto lutar de tanto viver esta guerra sem descanso. E olhar-me as mãos e querer arrancá-las uma e a outra. Com os dentes que me ardem. Os dentes não ardem. Os meus ardem. Devagarinho. De fora para dentro. E abrir os olhos e ver afinal está ali. Nunca esteve. E agora o que resta. Quando já nem as noites dormidas.