27.8.07
Domi militiaeque . 7 . A carta
25.8.07
Domi militiaeque . 6 . Escaravelhos
آمن بحجر تبرا
tem fé numa pedra e serás curado
(provérbio libanês)
Porque eu não vou aguentar. A sério. Eu morro. Não me mato. Mas morro. Sozinho. No meio deles. Um dia vão à minha procura. E eu estou no meio do mato. Com escaravelhos na boca. Portanto os senhores têm de me dar por inapto. Devia ser inepto. Os senhores não sabem latim. Não precisam. Mas não lhes faria mal nenhum. Porque se não o fizerem. Para o resto da vossa vida. A imagem de mim de cara posta no chão. E escaravelhos a sairem-me da boca. E do nariz.
Exército seja. Demora menos não é. E agora como vai ser. Não interessa. Tenho um ano. Ou mais. Agora é viver. Nunc uiuendumst. Já me esquecia. Os senhores não sabem latim. Esquecer o que há-de vir. Porque daqui a um ano. Ou mais. Estarei de barriga para baixo. Boca aberta. E escaravelhos. Muitos escaravelhos.
24.8.07
Domi militiaeque . 5 . Purga
وَلَوْلَا أَن يَكُونَ النَّاسُ أُمَّةً وَاحِدَةً لَجَعَلْنَا لِمَن يَكْفُرُ بِالرَّحْمَنِ لِبُيُوتِهِمْ سُقُفًا مِّن فَضَّةٍ وَمَعَارِجَ عَلَيْهَا يَظْهَرُونَ وَلِبُيُوتِهِمْ أَبْوَابًا وَسُرُرًا عَلَيْهَا يَتَّكِؤُونَ وَزُخْرُفًا وَإِن كُلُّ ذَلِكَ لَمَّا مَتَاعُ الْحَيَاةِ الدُّنْيَا وَالْآخِرَةُ عِندَ رَبِّكَ لِلْمُتَّقِينَ
Alcorão 43:33-35 (*)
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21.8.07
Domi militiaeque . 4 . Frio
Dói-me a cabeça. E os braços. Não sei porquê. A cabeça é normal. Absinto. Pimenta. Agora os braços. Não grites. Toca a levantar caralho. Não sei se consigo. Se me deixo ficar aqui. E não me levanto mais desta cama. Porque se eu me levantar. Está tanto frio. Estou tão pesado. Não mais me levantar. Ficar aqui para sempre. Agarrado a estes lençóis desgastados. Tapar a cabeça. Fingir que não estou cá. Que sou um monte de cobertores enrolados. De merda. Porque se eu me. Não vai estar ninguém à minha espera.
21.7.07
Domi militiaeque . 3 . Absinto
20.7.07
Domi militiaeque . 2 . Tigre
[Caravaggio - São João Baptista]18.7.07
Domi militiaeque . 1 . Camuflado
[Géricault - Soldados feridos retirando da Rússia]Bate bate e a pele suada do Sol doido quente que me torra dentro do camuflado. Camuflado. E eu que nem fui à tropa.
O senhor sabe que existe uma unidade especial. Os Comandos. Já pensou nisso? Já pensei sim. Mas eu não quero o meu corpo de comando nos Comandos. Eu quero o meu corpo de comando fora do quartel. A rebolar numa sala de aula ou dobrado sobre um livro. Porque diga-me o senhor: que vou eu fazer na tropa? Há um amigo meu, o senhor não conhece, não adianta dizer-lhe o nome, que me faz rir muito quando me imagina a levar os recrutas em marcha pachorrenta para debaixo de um plátano, cada um com o seu Fedro debaixo do braço. O senhor já me imaginou a platonizar com os recrutas debaixo de um plátano? É de rebentar de tanto rir. Ora essa, não é nenhuma palavra feia, não é nada disso que o senhor está a pensar. Eu nem sequer gosto de fardas. Platonizar. Ora pegue lá num dicionário. Isto não disse. Pensei. Porque àqueles senhores não se dizem estas coisas. O que eu disse foi. Não. Eu quero quero o exército. É mais rápido, não é? É. Seja o exército, então.




