Eu sei que não. Mas. Não posso deixar de sonhar. Ter-te de novo nos meus braços. Passar de novo as mãos pela tua pele. Proteger-te de todos os males. Não posso deixar de sonhar.
Ne te courbe que pour aimer. Si tu meurs, tu aimes encore. René Char
à memória do Rui
Fiquei de novo à porta. Portão fechado. Preciso de ti. Do teu abraço. Forte. Que me salves de novo. Deste naufrágio maior. Preciso de te ver. De te sentir perto de mim. Para outra vez me levantares do chão. E te poder abraçar com tanta força. Como naqueles dias. Agora abraço diferente. Porque o abraço de que precisava. Mas agora só contigo posso contar. Outra vez. Quamquam obiisti. Vtinam obirem et ego. Non est tempus tamen. Não sabias latim. Mas que importa. Nunca lerás estas linhas. Oxalá acreditasse na vida depois da morte. Gostava de pensar que tu me ouves. E eu sei que não. Que escrevo para mim mesmo. Que mais ninguém entenderá. Ainda que pense que sim. E que sentido faz escrever aos mortos. E que sentido faz.
Autrefois au moment de me mettre au lit, l'idée d'une mort temporaire au sein du sommeil me rassérénait, aujourd'hui je m'endors pour vivre quelques heures. René Char
Dormir o dia todo e não acordar nunca mais para nunca mais passar por isto e acabar de vez com esta dor que me arranca as entranhas e fugir. De vez.