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30.10.08

Arabiya

Os poemas traduzidos do Árabe passam a ser publicados num novo blogue: Pausa sobre as ruínas - الوقوف على الأطلال

26.10.08

Sombra

[Bosch - Alegoria da Gula e da Luxúria]
الخان

في الخان المُجاور ـ
رأيت ظِلّي يشرب كأس نبيذ
..........
وأنا هنا ـ
يُداهِمُني السُكْر
تترنح كلماتي

a taberna

na taberna aqui ao lado
vi a minha sombra a beber um copo de vinho
..........
e eu aqui:
agarra-me a bebedeira
tremem-me as palavras

Hassan Najmi
(tradução minha a partir do original árabe)

19.10.08

Brecha

[Khaled as-Saa'i - Sem título]

ثغرة
تحفر إلى الأبد
لا أحد يملأ
لا أحد
كلما حاولت
أخفقت
أسقطت
دمعة

فاتحة مرشيد

uma brecha
abrindo-se para sempre
ninguém a enche
ninguém
e sempre que ela tenta
falha
deixa cair
uma lágrima
Fatiha Morchid
(tradução minha a partir do original árabe)
Obrigado à Nádia pela ajuda
nas dificuldades surgidas.

9.10.08

Amor marinho

[Avercamp - Pescadores ao luar]

في الحُبّ البحريّْ

أنا بَحْرُكِ، يا سَيِّدتي
فلا تسألين عن تفاصيل الرحلةْ
ووقْتِ الإقْلاع والوُصُولْ.
كلُّ ما هو مطلوبٌ منكِ
أن تنسَيْ غرائزَكِ البَرِيَّةْ
وتُطيعني قوانينَ البحرْ...
وتَخْترقيني كسمكةٍ مَجْنُونَةْ
تَشْطُرُ السفينةَ إلى نِصْفَينْ..
والأُفُقَ إلى نِصْفَيْنْ..
وحياتي إلى نِصْفيْنْ..

sobre o amor marinho

sou o teu mar, senhora minha,
e não me perguntes da viagem
nem do tempo da partida e da chegada:
só tens de
esquecer os impulsos da terra
e obedecer às leis do mar
e entrar-me como peixe enfurecido;
racha o navio em dois pedaços
e o horizonte em dois pedaços
e a minha vida em dois pedaços

Nizâr Qabbânî
(tradução minha a partir do original árabe)


fī l-ḥubbi l-baḥrīy

'anā baḥruki, yā sayyadatī
fa-lā tas'alīna ʿan tafāṣīli r-riḥla
wa-waqti l-'iqlāʿi wa-l-wuṣūl.
kulla mā huwa maṭlūbun minki
'an tansay ġarā'izaki l-barīya
wa-tuṭīʿnī qawānīna l-baḥr...
wa-taḫtariqīnī ka-samakatin majnūna
tašṭuru s-safīnata 'ilā niṣfain..
wa-l-'ufuqa 'ilā niṣfain..
wa-ḥayātī 'ilā niṣfain..

4.10.08

Mãos

[Largillière - Estudo de mãos]
حَديثُ يَدَيْها

قليلاً من الصَمْتِ ..
يا جَاهِلَةْ ..
فأجملُ من كُلِّ هذا الحديثْ
حَديثُ يَدَيْكِ
على الطَاوِلَةْ ..نزار قباني
a fala das mãos dela

um pouco de silêncio,
impetuosa,
que a mais bela fala
é a fala das tuas mãos
sobre a mesa

Nizâr Qabbânî
(tradução minha a partir do original árabe)

ḥadīṯu yadayhā
qalīlan mina ṣ-ṣamti
yā jāhila
fa-'ajmalu min kulli hāḏā l-ḥadīṯ
ḥadīṯu yadayki
ʿalā ṭ-ṭāwila

25.9.08

Peixe

[Jean-Jacques Grandville - Peixes pescando pessoas]

كَمْ تُشْبهِنَ السَمَكةْ
سريعِةٌ في الحُبِّ.. مثلَ السَمَكَةْ
جَبَانَةٌ في الحبِّ.. مثلَ السَمَكَةْ
قَتَلتِ ألفَ امْرَأةٍ في داخلي
وصِرْتِ أنتِ المَلِكَةْ
نزار قباني

como pareces um peixe
veloz no amor como um peixe
cobarde no amor como um peixe
mataste-me mil mulheres dentro de mim
e tornaste-te tu rainha
Nizâr Qabbânî
(tradução minha a partir do original árabe)

22.9.08

Coelho


[Trabalho sobre caligrafia árabe, de Samîr Malik]
آهِ.. لو تتحرَّينَ يوما
من غَريزة الأَرَانِبْ..
وتَعْرِفينْ،
أننّي لستُ صيَّادَكِ..
لَكنَّني حبيبُكِ...
نزار قباني

ai se um dia te libertasses
da natureza medrosa dos coelhos
e soubesses
que eu não sou o teu caçador
que eu sou o teu amor
Nizâr Qabbânî
(tradução minha a partir do original árabe)


Obrigado à Nádia pela ajuda
nas dificuldades surgidas.



ʼāhi.. law tatḥarrīna yawman
min ġarīzati l-ʼarānib...
wa-taʿrifīn,
ʼnannī lastu ṣayyādaki..
lakinannī ḥabībuki...

19.9.08

Ainda

[Trabalho sobre caligrafia árabe, de Samîr Malik]

مازلْتِ يا مُسَافِرَةْ
مازلْتِ بعدَ السَنَةِ العَاشِرَةْ
مَزْرُوعةً.. كالرُمْح في الخَاصِرَةْ
نزار قباني
ainda, viajante,
ainda, dez anos depois,
és dardo cravado no meu flanco
Nizâr Qabbânî
(tradução minha a partir do original árabe)

mazlati yâ musâfira
mazlati s-sanati l-ʿâšira
mazrûʿatan ka-r-rumh fî l-ḫâṣira

13.9.08

As moscas

[Trabalho sobre caligrafia árabe, de Samîr Malik]

(Um poema de Mahmûd Darwîsh traduzido do árabe por mim. Não é o meu preferido. É o que consigo traduzir.)


salmo 3

no dia em que as minhas palavras foram
terra
fui amigo de espigas de trigo

no dia em que as minhas palavras foram
fúria
fui amigo de grilhões

no dia em que as minhas palavras foram
pedra
fui amigo de arroios

no dia em que as minhas palavras foram
revolta
fui amigo de terramotos

no dia em que as minhas palavras foram
cabaças azedas
fui amigo do optimisma

quando as minhas palavras se tornaram
mel
as moscas cobriram-me
os lábios

Mahmûd Darwîsh